Carlos B.: "Fazer parte da Liberté me deixa muito feliz"

Carlos B.: "Fazer parte da Liberté me deixa muito feliz"

Em poucas palavras

Tem 74 anos, é de Misiones e trabalhou a vida inteira na construção civil. Desde julho de 2022 faz parte da Liberté, onde encontrou comunidade, ofício e os patos do lago que vêm comer na sua mão.

Expressões de um companheiro que encorajam e trazem esperança porque, como disse o filósofo e poeta norte-americano Ralph Waldo Emerson, a felicidade é o combustível necessário para influenciar.

Testemunhos desde Liberté

Como é habitual, buscamos testemunhos de quem passa seus dias neste oásis dentro da prisão de segurança máxima, o espaço de autogestão chamado Liberté.

Um modelo em crescimento

Dissemos oásis? Na verdade, Liberté, embora muitos ainda não percebam, é um modelo que supera qualquer oásis e assume o perfil de um Dubai em potencial, uma paisagem desértica que se transforma em uma grande obra.

Relato de Carlos B.

Por isso, convidamos nesta oportunidade Carlos, um homem mais velho que se encontra em situação de cárcere aqui na unidade penitenciária de segurança máxima localizada na cidade de Batán, para nos contar o que sente ao fazer parte de uma comunidade que caminha junto ao símbolo "+", (positivo).

Nesta reportagem, ele nos conta como passa seus dias no nosso espaço de autogestão, com um olhar voltado para a mudança a partir da reflexão após as intervenções nas diversas capacitações que Liberté oferece, seja na sala de aula ou nas oficinas, onde é possível aprender um ofício, abrindo espaço para o despertar de uma vida diferente, com oportunidades de crescimento pessoal a partir do coletivo.

Carlos nos cumprimenta ao chegar e diz que é um prazer estar presente no rádio de Liberté; imediatamente senta diante do microfone e iniciamos um diálogo que não falta em risos e emoção ao longo do seu relato.

Ele diz: "por meio de um companheiro do pavilhão fiquei sabendo que em Liberté havia um curso sobre o estudo da bíblia, e isso me despertou interesse em me inscrever; foi assim que cheguei a este lugar abençoado e conheci o 'pampa', (mentor e fundador de Liberté)."

Então comentei que lá fora meu ofício era tudo relacionado à construção civil e pedi que me considerasse para fazer algum reparo.

Poucos dias depois já estava na manutenção e a partir daí comecei uma forma de vida diferente; já não ficava tanto no pavilhão, na cela. Reconheço que permanecer muito tempo ali não é bom para a saúde da mente — a gente pensa muitas coisas e o tempo nunca passa.

Vida em Liberté

Liberté é o lugar de onde é possível presumir estar em liberdade, porque aqui a gente colabora em tarefas — eu com o que sei fazer —, mas também há estudo de muitos temas e até aprendizado de ofícios como marcenaria e culinária; o tempo passa de outro jeito, aqui você pode tomar um mate e conversar com outras pessoas de boa maneira, aqui se respira liberdade.

"Aqui vem gente de diferentes pavilhões e nos damos bem, como se fôssemos uma família. Tudo está bem organizado: tem uma horta, tem galinhas e também tem um lago onde há peixes coloridos, tem plantas ao redor e tem patos que, quando me sento em algum banco próximo à água do lago, vêm até mim para que eu lhes dê algo de comer — são como meus amiguinhos."

"Todo dia, quando amanhece, já preparo minhas coisas e espero a saída do pavilhão para chegar a Liberté. A verdade é que estar em Liberté me faz muito feliz", conclui Carlos, um entre tantos companheiros que reconhece a diferença da autogestão e a transformação pessoal a partir do coletivo que Liberté produz.

Marcos de Liberté