Maratona por a
Paz
A primeira maratona do mundo dentro de uma prisão onde correram juntos e juntas pessoas em situação de cárcere, vítimas, pessoas libertadas e familiares.
Nós chamamos de correr para consertar: cada passo compartilhado é uma distância que se fecha.
22 mar 2019 · 19 nov 2022
Primeira do mundo dentro de uma prisão
No mundo
Maratona interna com vítimas e pessoas em situação de cárcere
Edições
2019 · 2022
Em avaliação
Próxima edição possível
Inclusiva
Por categorias · com modo caminhada
A ideia, em breve
Uma maratona de verdade. Dentro de uma prisão.
Após uma série de jornadas de Portas Abertas no Penal de Batán, a Pampa teve a ideia de fazer uma "Maratona pela Paz", inspirada em um evento esportivo realizado em Corrientes no qual participou a associação Vítimas pela Paz. Mas ela não queria apenas copiar a ideia: em Liberté, a maratona tinha que servir para algo mais do que correr — para que vítimas, pessoas em situação de prisão, familiares e funcionários pisassem no mesmo asfalto.
Mas antes foi preciso esperar. Quando Pampa apresentou a Dr. Mario Juliano —já padrinho da Liberté—, o juiz inicialmente mostrou-se reticente. «Vamos vendo», disse ele, e fez Pampa esperar. Somente ao terminar o mural O Mural Mais Bonito do Mundo —outro projeto que Pampa também havia proposto—, Mario se aproximou de Pampa e, quase em segredo, deu o aval.
A Primeira Maratona pela Paz foi realizada em março de 2019, dentro da Unidade Penal N°15 de Batán, utilizando as ruas de circunvalação interna. A largada foi dentro da prisão e a chegada na Comunidade Pastoral Universitária, onde ocorreu o ato de encerramento e entrega de prêmios. A Federação de Maratonistas enviou seus dirigentes para fiscalizar a competição. Houve música ao vivo, oradores e oradoras, e muitas pessoas correndo com camisetas doadas pela maratona inspiradora.
A segunda edição foi realizada em 19 de novembro de 2022, já com Liberté transferido para seu Território atual. Os atos protocolares aconteceram na cooperativa, onde também foi homenageado o restaurante Punto de Paz. Assim como em 2019, participaram juntos pessoas em situação de cárcere, vítimas, pessoas liberadas, familiares, maratonistas profissionais e funcionários e funcionárias judiciais.
Se você concordar, vamos organizando a maratona.
— Dr. Mario Juliano · Padrinho da Liberdade
Dados rápidos
O conceito
Correr para consertar
O verbo correr é conjugado aqui em dois sentidos ao mesmo tempo: como movimento do corpo e como ato que repara.
Uma maratona onde se mede o desempenho físico. Um ato restaurativo onde se mede outra coisa: a capacidade de vítimas, pessoas em situação de prisão, pessoas libertadas, familiares e funcionárias e funcionários de pisar o mesmo asfalto, cruzar a mesma linha de chegada e tirar fotos juntos e juntas quando chegam.
Inclusão
Categorias por desempenho físico — com modo caminhada. Cada um corre no seu próprio ritmo.
Encontro
Vítimas, pessoas em situação de cárcere, pessoas libertadas, familiares e funcionárias e funcionários correndo juntos e juntas, sem distinções.
Reparação
A rua como ferramenta restaurativa: o que a cela separa, o asfalto compartilhado volta a unir.
A dobradiça humana
O dia em que Diana chegou a Batán
A primeira Maratona pela Paz, em 22 de março de 2019, veio a Dra. Diana Márquez. Foi sua primeira visita à prisão de Batán. Lá conheceu Liberté.
Três anos depois, seria co-criadora do Restaurante Punto de Paz, o primeiro restaurante do mundo gerenciado por pessoas em situação de cárcere. Hoje é secretária da Cooperativa Liberté.
A maratona foi a porta. A aliança com Vítimas pela Paz já tinha começado com o mural, mas foi naquele dia — 22 de março de 2019 — que Diana cruzou pela primeira vez os muros de Batán e começou a tecer o vínculo do qual depois surgiriam vários capítulos compartilhados — entre eles o Restaurante Ponto de Paz.
As duas edições
Duas largadas. A mesma utopia.
Edição
22 de março de 2019
UP15 Batán · 1ª do mundo
- Partida e percurso pelas ruas da circunvalação interna do Penal
- Chegada na Comunidade Pastoral Universitária — ato de encerramento e premiação
- Fiscalizada pelos dirigentes e dirigentes da Federação de Maratonistas
- Camisas doadas da maratona inspiradora — quem participou as guarda como tesouros
- Música ao vivo e oradores e oradoras muito emocionados (especialmente o presidente da Federação de Maratonistas)
- Categorias por desempenho físico — alguns participaram no modo caminhada
- Inauguração da exposição de quadros «Apaixone-se se puder», da artista Betina Ferrara
- Primeira visita à Batán da Dra. Diana Márquez
Edição
19 de novembro de 2022
Território Liberdade · Mar del Plata
- Organizada pela Liberté e Vítimas pela Paz
- Partida e chegada no território atual da cooperativa
- Atos protocolares na instituição cooperativa
- Prêmio ao Restaurante Punto de Paz, outro marco do mesmo arco
- Manteve as características da primeira: maratonistas profissionais, pessoas em situação de cárcere, vítimas, pessoas libertadas e familiares correndo juntos e juntas.
- Fiscalização profissional · categorias · modo caminhada
Quem corre conosco
A maratona não se faz sozinha
Vítimas pela Paz
Co-organizadora desde o início. Fundada pelo juiz Mario Juliano. Trouxe a perspectiva das vítimas e a rede que tornou possível a convocação.
Federação de Maratonistas
Seus dirigentes fiscalizaram as duas edições, somando rigor esportivo a uma maratona inédita por sua composição humana.
Poder Judiciário
Funcionárias e funcionários do poder judiciário correram e participaram dos atos protocolares em ambas as edições.
Serviço Penitenciário
Pessoal da UP15 se juntando à corrida de pé de igualdade com quemes corriam.
A distância entre uma vítima e uma pessoa em situação de cárcere às vezes é de 21 quilômetros percorridos em paralelo. Depois, já não é mais a mesma distância.
Outros marcos do mesmo arco
O que a maratona abriu
Restaurante Ponto de Paz
O primeiro restaurante do mundo gerenciado por pessoas em situação de cárcere. Diana Márquez foi co-criadora — e tudo começou na 1ª maratona.
O Mural Mais Lindo do Mundo
Inaugurado em 19 de dezembro de 2019 na parede do passadiço que os trabalhadores e trabalhadoras da Liberté viam todos os dias. Outro marco do mesmo período. Pouso em preparação.
Quer saber a história completa?
Como surgiu a ideia, as duas largadas, os oradores e as oradoras emocionados, a primeira visita de Diana Márquez a Batán e tudo o que aquela maratona abriu para a Liberté — em uma única leitura.