Num meio-dia de sábado cinzento, frio e por momentos chuvoso, a comunidade Liberté voltou a se encontrar ao redor de uma mesa. No Salão Punto de Paz compartilhou-se uma «macarronada» com molho e frango que todos os presentes saborearam.
Fazia tempo desde o último almoço comunitário. A ausência se rompeu com o que melhor define a Liberté: a solidariedade entre pares. Um pacote de macarrão por aqui, um molho pronto por ali, e entre todos se conseguiu concretizar a comida, o reencontro.
A Liberté é um espaço autogerido por pessoas em situação de cárcere dentro da Unidade Penal N°15 de Batán. É sustentado por seus próprios integrantes, sem pertencer ao Estado nem ao Serviço Penitenciário. Conta ainda com uma importante rede de colaboradores e colaboradoras: juízes e juízas, promotores e promotoras, advogados e advogadas, assistentes sociais, psicólogos e psicólogas, organizações não governamentais como Víctimas por la Paz, além de apoios nacionais e internacionais.
Os depoimentos da mesa
O almoço estava muito bom, uns bons macarrões compartilhados com os companheiros, deliciosos. Tomara que se faça todos os fins de semana.
Carlitos L. expressou sua emoção e suas palavras fizeram referência a como é bom porque nos une. Disse que está certo que se faça, e destacou que quase depois de um ano voltaram os almoços.
Achei uma ideia muito boa, e é disso que se trata a Liberté: uma comunidade, uma família, sempre gerando propostas em conjunto. Uma experiência muito bacana.
Tem que se repetir, foi um espetáculo, um almoço muito bom. A coisa de encher a barriga e curtir entre companheiros. Tem que se repetir.
Acostumados a unir
A empatia, a solidariedade, a união, as emoções compartilhadas. Tudo esteve presente neste almoço comunitário, numa Liberté acostumada a unir, acostumada a devolver dignidade.